O que buscamos, afinal, quando escutamos? Ernst Bloch e o espírito utópico na música
DOI:
https://doi.org/10.34096/interlitteras.n6.16455Resumen
Em Espírito da Utopia, primeira obra publicada por Ernst Bloch, somos conduzidos
entre os compassos e descompassos da natureza humana. O encontro com o Si
[Selbst] perpassa todo o volume e reverberar-se-á em todo corpus blochiano
subsequente. Aqui, entretanto, o caráter utópico do mundo é explorado de maneira
especial em sua manifestação sonora, de modo que Bloch nos guia a uma floresta
existencial da qual somos ou nos sentimos como se fôssemos os sons que a própria
floresta emana, confundindo-nos com ela mesma. O som escutado surge como
protagonista na busca por um caminho capaz de dar sentido à jornada da própria
existência – da existência que ainda-não-é. A música desempenha um papel central
nessa reflexão blochiana, e é sobre o seu caráter de expressão utópica – explorado
especialmente na obra supracitada e em O Princípio Esperança – que nos
debruçaremos no presente artigo. Aquilo que se busca ao escutar uma peça
musical, em última instância, diz respeito à pergunta fundamental, àquela coisa
perdida, ainda-não encontrada, mas pressentida e latente na obscuridade do
instante vivido. Sendo a expressão máxima do utópico, recorrer à filosofia blochiana
da música parece, portanto, indissociável da tarefa de compreensão do próprio
princípio esperança.