Mobilidade do cuidado
Deslocando a mobilidade urbana para garantir cidades que cuidam
DOI:
https://doi.org/10.34096/rtt.i33.17265Palavras-chave:
Mobilidade cotidiana. Mobilidade a pé. Cuidado. Feminismo. Interseccionalidade.Resumo
O agravamento das desigualdades socioespaciais, de gênero e raciais tem exigido uma revisão teórica e prática profunda no campo do planejamento da mobilidade. O debate crítico revela a marginalização de grupos sociais, territórios e práticas espaciais cotidianas, enraizada em valores patriarcais, racistas e eurocêntricos. Na América Latina, a mobilidade do cuidado é realizada predominantemente por mulheres periferizadas cuja principal forma de deslocamento é a mobilidade a pé, combinada com o transporte público. No entanto, a falta de compreensão sobre como a experiência diferenciada de deslocamento cotidiano desse grupo específico, aliada a pressupostos positivistas e tecnocráticos, desvaloriza formas de ser e existir no espaço que não são hegemônicas. Neste artigo, apresento as características das cuidadoras e pedestres nas periferias do Brasil, destacando as materialidades da caminhabilidade envolvidas na mobilidade do cuidado. Proponho uma discussão sobre a invisibilidade dos deslocamentos relacionados à mobilidade do cuidado nas pesquisas origem-destino e busco explorar outros instrumentos e métodos de planejamento que possam contribuir para um avanço ético, político e teórico-metodológico, ao adotar perspectivas centradas na mobilidade cotidiana a pé, rumo a um urbanismo feminista, situado e transformador, que promova cidades cuidadoras e comprometidas com a garantia da vida.
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