As rotas de cuidado como territórios de resistência, vínculo e resiliência urbana – Caminhadas que cuidam: o binômio entre cuidador(a) e criança
DOI:
https://doi.org/10.34096/rtt.i33.17321Palavras-chave:
Primeira infância, Mobilidade do cuidado, Cuidadora, Resiliência, Binômio, Desigualdade urbana, Rotas do cuidado, CaminhadaResumo
As caminhadas cotidianas nas cidades latino-americanas são marcadas por desigualdades estruturais que afetam de forma diferenciada o binômio cuidador(a)-infância, especialmente em contextos urbanos periféricos. Este artigo propõe uma exploração situada das chamadas rotas do cuidado: trajetos que articulam espaços de vida, afeto, atenção e desenvolvimento, sustentados por uma infraestrutura urbana frágil e uma intensa rede social. A partir de uma perspectiva interseccional, analisa-se as experiências desse binômio em seus deslocamentos diários, atravessados por condições físicas, emocionais e simbólicas que moldam seus ritmos, estratégias e sentidos. Argumenta-se que as rotas do cuidado não são apenas deslocamentos funcionais, mas territórios onde se constroem vínculos, identidades e subjetividades, em um momento-chave do desenvolvimento infantil. A caminhada se revela como uma prática cotidiana e política, capaz de transformar a relação com a cidade a partir das margens. O trabalho se baseia em metodologias participativas, caminhadas acompanhadas e observação de campo realizadas em bairros populares de Lima, Peru. O artigo propõe dar visibilidade a essas rotas como infraestrutura vital para a infância e convida a reinventar o espaço urbano a partir de uma ética do cuidado que coloque a vida, o vínculo e a resiliência comunitária no centro.
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